Água Izé, no distrito de Cantagalo, tem sido palco de uma formação de guias turísticos promovida pelo Projeto Nossa Terra – Nosso Futuro. Esta formação – que decorre entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026 – conta com 15 participantes, desde guias locais, membros da direção da Associação de Produtores de Cacau de Qualidade de Água-Izé e agricultores da região, interligando o turismo comunitário à fileira do cacau.

As sessões teórico-práticas, que se realizam semanalmente nas instalações da FACA – Fábrica das Artes, Ambiente e Cidadania Ativa e nas parcelas agrícolas, têm sido coordenadas por Luís Mário e ministradas por dirigentes da CECAQ-11 – Cooperativa de Exportação de Cacau de Qualidade, da Associação de Guias de São Tomé e Príncipe e da Direção Geral de Turismo e Hotelaria, e abrangem temáticas como: o conceito de turismo sustentável; o que é ser guia; técnicas de comunicação; medidas de segurança; preparação e organização de passeios; introdução aos conceitos de património material e imaterial agrícola; cooperativismo; produção biológica e institucionalização de guias.

O objetivo desta formação é capacitar jovens para a realização da futura “Rota do Cacau do Sul”, uma experiência-piloto em Água Izé que irá abranger visitas ao centro de processamento da Associação de Produtores de Cacau de Qualidade, passando pelo centro da comunidade e pelas parcelas dos agricultores com produção de cacau, que se encontram, neste momento, a serem preparadas para as visitas turísticas, permitindo a todos aqueles que as visitam terem uma experiência mais imersiva, tendo, por exemplo, oportunidade de participarem na poda dos cacaueiros, na colheita do cacau, entre outras. Assim, a aposta no turismo comunitário aliado à fileira do cacau permite transformar uma atividade puramente agrícola numa experiência cultural, educativa e sustentável, gerando mais valor local e fortalecendo as comunidades.

Esta nova rota turística nesta zona envolvendo a fileira do cacau é uma iniciativa do Projeto Nossa Terra – Nosso Futuro em parceria com a CECAQ-11 e a Associação de Produtores de Cacau de Qualidade de Água-Izé e pretende contribuir para a criação e dinamização de um novo circuito turístico e comercial na região, promovendo o desenvolvimento sustentável e a valorização da cultura local e da cultura do cacau.

Testemunhos dos Participantes 

“Estou a gostar da formação e tenho aprendido muitas coisas, como guiar um turista, aprender mais sobre cacau e ter mais conhecimentos sobre como ser uma guia turística local. Não faço trabalho como guia, mas gostaria de aprender mais sobre como guiar um turista, porque trabalho na Associação e, às vezes, recebemos lá turistas, então temos de ter mais conhecimentos para que possamos guiar um turista lá mesmo na Associação. Aprendi mais sobre a história do cacau e sobre a história da Roça Água Izé. Esta formação é importante para ter mais conhecimentos para saber como dirigir os turistas e explicar-lhes o passado desta roça e o processo do cacau biológico”.

Jéssica da Costa, secretária do Conselho de Direção da Associação de Produtores de Cacau de Qualidade de Água Izé

“Estou a participar nesta formação para reforçar o meu conhecimento sobre tudo aquilo que tem a ver com a Roça Água Izé. Tenho aprofundado conhecimentos sobre turismo e agroturismo, algo que não conhecia tão bem. Pensava que o turismo só se fazia no centro da comunidade, mas aprendi que a plantação de cacau também pode fazer parte do turismo. Aprendi sobre o processo do cacau e conheci três tipos de qualidades de cacau. Com esta formação vamos poder organizar-nos, tal como acontece noutras roças, e a comunidade também vai sair a vencer com a nossa organização. Vamos ajudar muito a comunidade.”

Carlos Semedo, segurança da escola de Água Izé e guia local

O Projeto Nossa Terra – Nosso Futuro é financiado pelo Camões, I.P., implementado pela AMVF – Associação Marquês de Valle Flôr com o apoio do IMVF – Instituto Marquês de Valle Flôr, em estreita parceria com o Ministério da Agricultura, Pescas e Desenvolvimento Rural de São Tomé e Príncipe e tem como objetivos específicos consolidar as fileiras de exportação, através da implementação de boas práticas agroecológicas, do reconhecimento dos produtos são-tomenses no mercado, e da inclusão do agroturismo para diversificação do rendimento das famílias dos agricultores.

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