O projeto “Nô Fia Na Crias – Sistema Integrado Cooperativo e Comunitário de Produção Avícola, Caprina e Derivados para a Região de Cacheu”, implementado pelo IMVF e por parceiros locais na Guiné-Bissau, concluiu o seu primeiro ano de atividades e recebeu a visita, a 26 de julho de 2016, da Dra. Carla Sorneta, encarregada de programas de Desenvolvimento Rural e Segurança Alimentar da Delegação da União Europeia (DUE) na República da Guiné-Bissau, na qualidade de principal financiador da ação.

A visita da encarregada de programas da União Europeia permitiu ainda a organização de um intercâmbio com a organização Manitese e a cooperativa Asas do Socorro, também detentores de um financiamento da DUE no quadro do programa AINDA para o desenvolvimento da fileira de animais de ciclo curto.

No mesmo dia, João Monteiro, coordenador de projetos do IMVF, apresentou, na sede da Cooperativa Agropecuária de Jovens Quadros (COAJOQ) – parceiro local do projeto –, os principais avanços decorridos ao longo do primeiro ano do projeto. A comitiva visitante conheceu o aviário com 900 aves em produção, que dispõe de 2 pavilhões com sistema de água para abeberamento dos animais, bem como uma unidade de produção de ração e uma unidade chocadeira que se encontra em processo de instalação. A COAJOQ demonstrou as vantagens da ração que desenvolveu e do sistema em curso, com a aquisição de pintos de dia e cria semi-intensiva nas instalações desenvolvidas na Cooperativa.

A comitiva visitou, de seguida, o centro agropecuário em Ingoré, onde a ONG AD – Acção para o Desenvolvimento (também parceiro local do projeto) explicou que já foram formados 14 paraveterinários no quadro do projeto e adquiridas 15 cabras melhoradas, tendo também sido construído um estábulo caprino para apoiar o centro agropecuário de formação aos criadores.

O centro de formação inclui uma unidade de farmácia para fornecimento de consumíveis aos paraveterinários, que só os conseguem através de importação do Senegal. O objetivo da formação é abranger, a curto prazo, 30 paraveterinários e 15 núcleos de criadores de cabras. Estão a ser testadas culturas leguminosas e arbustivas para alimentação animal (moringa, leucaena, outras), formas de conservação de palha, silagem, para vulgarização aos criadores. Como iniciativa-piloto, está prevista a construção de uma queijaria, atividade para já condicionada pelo estágio de desenvolvimento dos animais adquiridos e pelo próprio sistema de maneio alimentar em início.

Após um ano do projeto Nô Fia Na Crias, mais de 900 frangos já foram comercializados, num retorno líquido de 1.485.000 francos (2.250 €). O projeto apoia a comunidade, designadamente 50 mulheres e famílias locais, através de uma criação avícola rústica e com recurso a espécies locais, mais resistentes. A formação incide sobre o maneio alimentar e sanitário, tendo também sido demonstradas as vantagens do parqueamento dos animais de forma simples, através de uma capoeira construída com materiais locais e replicável com baixos custos e zero custos de manutenção.

Este projeto é implementado desde julho de 2015 na região de Cachéu, na Guiné-Bissau, contando com o financiamento da União Europeia e tendo como principal objetivo contribuir para a segurança alimentar e nutricional de forma a alcançar a soberania alimentar na região de Cacheu através do estabelecimento da fileira de produção avícola e caprina sustentável.

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