Realizou-se pela primeira vez em São Tomé e Príncipe, no Hospital Dr. Ayres de Menezes, no âmbito da Missão de Gastroenterologia do Projeto Saúde para Todos – Consolidação do Sistema Nacional de Saúde de São Tomé e Príncipe, a primeira Colangiopancreatografia Retrógada Endoscópica (CPRE), um exame avançado que combina endoscopia e radiologia para diagnosticar e tratar problemas nas vias biliares e pancreáticas. Durante a semana de missão foram efetuados 3 procedimentos. A implementação desta técnica constituía um objetivo da equipa há vários anos, tendo sido finalmente concretizado nesta 16.ª missão da especialidade ao arquipélago são-tomense.

Este procedimento endoscópico utilizado no tratamento das doenças biliopancreáticas, de forma minimamente invasiva, com finalidade curativa ou paliativa, tem um impacto significativo na melhoria da qualidade de vida dos doentes. É uma técnica complexa, que exige uma equipa multidisciplinar para ser executada em condições de segurança.

De acordo com a equipa em missão, “tendo em conta a densidade populacional do país e a reduzida casuística esperada, consideramos que poderá ser difícil, a longo prazo, garantir a aquisição e manutenção de autonomia técnica pela equipa local. No entanto, assegurar a realização dos exames com qualidade durante as missões representa um primeiro passo fundamental para o desenvolvimento do tratamento destas patologias no país.”

De acordo com a equipa, “A execução da CPRE, considerada uma técnica endoscópica avançada, exigiu uma preparação substancial por parte da equipa, dado o grau elevado de complexidade e a necessidade de recursos adicionais quando comparada com os procedimentos realizados em missões anteriores.”, sublinhando que “igualmente relevante foi o planeamento conjunto das datas da missão com a equipa portuguesa de cirurgia geral, especializada em cirurgia biliopancreática, e acompanhada por uma anestesista experiente, essenciais para a intervenção imediata em caso de intercorrências associadas ao procedimento.”

A Missão de Gastroenterologia esteve em São Tomé e Príncipe entre 15 e 21 de novembro e dela fizeram parte os médicos especialistas Dr. Vítor Fernandes (Clínica de Gastrenterologia de Almada), Dr. Rui Loureiro (Hospital Garcia de Orta, Almada) e Dra. Lagchar Barreto (Hospital Dr. Ayres de Menezes, São Tomé) e os enfermeiros, Enf.ª Cátia Carreira (Hospital da Luz, Lisboa) e Enf. Manuel Rocha (Hospital Beatriz Ângelo, Loures).

Foram realizadas 186 intervenções endoscópicas, entre endoscopias altas, colonoscopia, Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE) e procedimentos proctológicos.

Durante a semana foram sendo discutidos em equipa diversos casos clínicos observados em consulta, uma boa prática formativa e de aprendizagem mútua entre profissionais de saúde com vista à melhoria da qualidade dos cuidados de saúde. A introdução no país de uma nova técnica, a Colangiopancreatografia Retrógada Endoscópica (CPRE) constituiu, por si só, uma oportunidade formativa significativa, pois embora a equipa local não tenha ainda competência para participar diretamente na execução desta técnica, este processo representou um importante momento de aprendizagem, sobretudo pela necessidade de articulação com outras áreas de intervenção menos habituais no seu quotidiano.

A equipa em missão realizou ainda a entrega de 3 aparelhos endoscópicos, 2 gastroscópios e 1 colonoscópio à Unidade de Endoscopia do Hospital Dr. Ayres de Menezes. Estes aparelhos da marca Pentax, compatíveis com o equipamento previamente existente na Unidade, foram doados pelo Hospital Garcia de Orta (Almada, Portugal). Segundo a equipa, esta doação “irá permitir á equipa melhorar a sua performance diária, aumentando assim a sua produtividade, experiência e capacidade de responder às necessidades da população.

O Projeto Saúde para Todos – Consolidação do Sistema Nacional de Saúde de São Tomé e Príncipe é implementado pela AMVF – Associação Marquês de Valle Flôr, com o apoio do IMVF em estreita parceria com o Ministério da Saúde e dos Direitos da Mulher de São Tomé e Príncipe e financiado pelo Camões, I.P. e pela Secretaria-Geral do Ministério da Saúde de Portugal.

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