
No segundo intercâmbio dos Grupos de Ação Local (GALs) do projeto Boa Governação, realizado em Gabu nos dias 6 e 7 de fevereiro de 2026, 33 representantes – 27 homens e 6 mulheres – partilharam experiências e avaliaram a implementação do Fundo de Desenvolvimento Local (FDL) e reforçaram as estratégias de transparência e participação comunitária nas cinco cidades guineenses beneficiadas, de modo a minimizarem as dificuldades encontradas em várias áreas.
O encontro, que reuniu os GALs de Bafatá, Gabu, Canchungo, Buba e Bolama, constituiu um espaço de auscultação ativa, permitindo que os atores locais expusessem os desafios operacionais e advogassem soluções conjuntas a partir dos trabalhos já desenvolvidos, metodologias usadas e o plano para a implementação definitiva do FDL. Esta prática de diálogo insere-se na dinâmica de governação participativa, no quadro das quais a recolha sistemática das perceções da comunidade através da escuta ativa serve de base para a co construção de políticas públicas.
O Intercâmbio permitiu aos GALs que desenvolvem ações na mesma temática, criar sinergias para solucionar constrangimentos de execução, de forma a impulsionar uma maior dinâmica na implementação do Fundo de Desenvolvimento Local. Também medidas foram propostas e adotadas para melhorar o funcionamento dos Grupos de Ação Local, assim como melhorar a visibilidade das ações desencadeadas, através de estratégias que passam por, entre outros aspetos, disseminar as suas ações junto das instituições que não estão diretamente integradas.
Segundo Iaia Djau, Gestor de Subvenções do IMVF, “partilharam as experiências sobre o que já fizeram, porque por trás de tudo isto está a transparência e a prestação de contas. Quais são as medidas de transparência que estão a adotar para a implementação do FDL e como estão a prestar contas aos moradores das cidades, sobre a implementação do Fundo de Desenvolvimento Local.”
A ênfase na prestação de contas a partir da divulgação clara de informações constitui-se como um elemento central para a confiança cidadã e a eficácia da aplicação dos fundos de desenvolvimento locais.
Os testemunhos individuais dos membros dos GALs ilustram como a mobilização comunitária pode gerar sinergias operacionais. Libânia Mário Bassafim, membro do GAL de Bolama, destacou que o intercâmbio trouxe “informações que não tínhamos antes … vamos levar tudo o que adquirimos aqui para partilhar com os nossos colegas em Bolama”.
De igual modo, Jaqueline Pereira Barreto, do GAL de Canchungo, observou que, “este encontro é muito bom, porque permite-nos espelhar as nossas ações. Apesar de nós estarmos um bocadinho mais avançados na implementação do FDL, aprendemos muito com os nossos colegas aqui e tivemos muitas informações novas”.
Estas trocas reforçam a ideia da aprendizagem interorganizacional, como fator acelerador da inovação social.
Além da troca de conhecimentos, o encontro gerou consensos sobre as necessidades estruturais. Os participantes concordaram em reforçar os recursos logísticos e financeiros, bem como em intensificar as ações de visibilidade, para que as iniciativas dos GALs se tornem mais presentes no quotidiano dos moradores. Mamadú Candé, de Bafatá, enfatizou que “se todos os projetos trabalhassem como o Boa Governação, com o princípio de transparência, não teríamos desvio de fundos”, sublinhando a importância da governação baseada em princípios éticos para a prevenção da corrupção em programas de desenvolvimento.
O primeiro intercâmbio, ocorrido em Canchungo em janeiro 2025, estabeleceu a base para este ciclo de consultas. O sucesso percebido levou os GALs a votar a realização de um terceiro encontro, a ser sediado em Bolama, reforçando a continuidade da dinâmica de consulta recorrente – um mecanismo que aumenta a legitimidade e a sustentabilidade das intervenções.
Financiado pela União Europeia e cofinanciado pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P., o projeto Boa Governação está a ser implementado pelo Instituto Marquês de Valle Flôr (IMVF) e pela Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) ao longo de três anos (20242027). A estratégia de envolver diretamente os GALs assenta num modelo de desenvolvimento local colaborativo, onde a mobilização das comunidades não só informa a alocação de recursos, mas também fortalece a capacidade institucional das organizações da sociedade civil guineenses.
Em síntese, o segundo intercâmbio dos GALs demonstrou como a combinação da escuta ativa, a transparência e a aprendizagem mútua podem potencializar a efetividade de fundos de desenvolvimento, oferecendo uma referência empírica para as políticas de governação participativa em contextos de vulnerabilidade socioeconómica.