Hoje assinalamos o Dia Internacional da Diversidade Biológica, trata-se da crise da nossa própria sobrevivência.

A mensagem deste ano é “agir localmente para um impacto global”. Estamos a quatro anos do prazo limite (2030) para cumprir as metas do Quadro Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal. E o tempo é inclemente.

Abelhas na Constituição

Num movimento raro de união partidária, os verdes, os liberais e o centro-direita uniram-se numa iniciativa popular para incluir a proteção das abelhas na Constituição Federal da Suíça[2].

Os números são impactantes: quase 60 espécies de abelhas selvagens desapareceram do território suíço. Das 600 restantes, metade está à beira da extinção. A população total de abelhas caiu mais de 75% em três décadas. Não se trata apenas de mel; trata-se de segurança alimentar. Sem polinizadores, as frutas, os legumes e parte significativa dos grãos que integram a nossa alimentação são afetados.

A perda de biodiversidade não é apenas uma tragédia ecológica, é uma ameaça à sobrevivência da nossa espécie e do planeta. Os estudos recentes confirmam que os ecossistemas degradados facilitam a propagação de zoonoses, doenças que podem saltar dos animais para os humanos, como todos bem recordamos com a pandemia covid-19.

O jaguar na “constituição” da Amazónia

Na Amazónia colombiana, não são só as abelhas, também o jaguar se constitui como um guardião da natureza.

O grande felino das Américas é o que os cientistas chamam de “espécie guarda-chuva”. Proteger o jaguar significa proteger o vasto território de floresta que este requer para caçar e viver[3]. Onde existem jaguares, existe floresta intacta. Onde existe floresta intacta, existe regulação do clima, armazenamento de carbono e preservação de milhares de outras espécies.

No entanto, o habitat do jaguar nas regiões como o departamento de Caquetá, no sul da Colômbia, tem sido corroído por décadas de conflitos armados, pecuária extensiva e economias extrativas ilícitas. Após os Acordos de Paz de 2016, a luta pelo controlo da terra intensificou a desflorestação.

Caquetá Eco: Paz através da Bioeconomia

Foi neste quadro complexo que nasceu o projecto Caquetá Eco – Territórios Económica e Ecologicamente Sustentáveis. Liderado pelo Instituto Marquês de Valle Flôr (IMVF) e pelo parceiro local Red Adelco, este projecto prova que a conservação não precisa de ser um entrave ao desenvolvimento. Pelo contrário: é garantia para que o mesmo seja feito de forma sustentável.

Nos municípios como La Montañita, El Doncello e El Paujil, o projecto está a transformar a realidade de 754 famílias. Em vez de derrubar árvores para pasto, estas comunidades estão a adoptar sistemas agroflorestais. Estão a cultivar cacau, ananás e a palma de cananguche (buriti) sob a copa das árvores nativas.

O resultado?

  1. Restauração Ecológica: As culturas complementares melhoram o solo e criam corredores biológicos que permitem ao jaguar e às outras espécies circularem em segurança.
  2. Energia Renovável: As cooperativas locais beneficiaram com a instalação de parques solares fotovoltaicos, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis e aumentando a resiliência climática[4].
  3. Empoderamento Feminino: Mulheres como a Deicy Bermeo (Asmococa) e a Yina Bailón (ChocoAmazonic) estão a liderar a transformação, criando marcas de chocolate e cosméticos naturais que geram rendimento para as famílias assinantes dos acordos de paz.

 

Lisboa discute a Amazónia e a Biodiversidade

Spot – link disponível aqui

No próximo dia 2 de junho, a Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa (CCIP) acolhe o Fórum Internacional: Amazónia e Biodiversidade.

Promovido pelo IMVF e Red Adelco, com apoio das Embaixadas de Portugal e da Colômbia, o evento quer promover negócios sustentáveis através de speed dating empresarial (B2B), apresentação de casos de sucesso de empresas portuguesas que integram boas práticas ambientais na sua estratégia.

Painéis com a AICEP e a ProColombia vão discutir que vantagens as empresas portuguesas encontram na Colômbia. Todavia, o momento áureo do evento será a auscultação do testemunho de três mulheres empreendedoras de Caquetá, que vão mostrar como se constrói uma empresa social resiliente num território pós-conflito.

Protege a biodiversidade

A biodiversidade é a infraestrutura básica para a vida humana e do planeta. Seja através da inserção de uma artigo na constituição para a proteção das abelhas, seja através do cultivo de flores nos quintais e jardins de cada um para ajudar as abelhas a obter alimento, seja através da compra de chocolate amazónico produzido de forma regenerativa, as nossas escolhas têm importância e fazem a diferença.

Como se diz comummente, é preciso agir glocalmente[5], ou seja, a acção global começa, inevitavelmente, no local.

Participe no fórum. Venha conhecer o caso prático de um projeto de cooperação para o desenvolvimento que procura o equilibro entre a proteção do ambiente e da biodiversidade mas também o investimento nas comunidades, para que disponham de recursos para continuar nos caminhos da paz.

O projeto Caquetá Eco é financiado pelo Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, I.P.

📅 Save the Date: Fórum Internacional: Amazónia e Biodiversidade

🗓️ 2 de Junho de 2026

📍 Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, Lisboa 🔗 Inscrições gratuitas em:  Link de Inscrição

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