
A zona sul de São Tomé ganhou uma nova rota turística: a Rota do Cacau do Sul. Esta Rota, estruturada no âmbito do Projeto Nossa Terra – Nosso Futuro, financiado pela Cooperação Portuguesa, foi inaugurada na manhã do dia 26 de junho, em Água Izé, distrito de Cantagalo. A iniciativa pretende contribuir para o reforço do setor do agroturismo comunitário, a valorização do cacau são-tomense, a dinamização da economia local e a promoção de um desenvolvimento sustentável.
Com um percurso circular e guiado, a Rota do Cacau do Sul convida os visitantes a conhecer o Centro de Processamento de Cacau da Associação de Produtores de Cacau de Qualidade de Água Izé, a explorar o património histórico e arquitétónico da comunidade, e a percorrer parcelas agrícolas integradas no Sistema Agroflorestal do Cacau. Ao longo da visita, é possível acompanhar as diferentes etapas da produção e do processamento do cacau e compreender a sua importância económica, social e cultural para as comunidades locais.
Mais do que uma visita, esta Rota afirma-se como um produto turístico inovador em São Tomé e Príncipe, aliando a promoção do património agrícola e cultural, valorizando um dos produtos mais emblemáticos de São Tomé e Príncipe – o Cacau –, e proporcionando aos visitantes uma experiência imersiva e sensorial em torno da produção de cacau, da vida da comunidade e das tradições locais da zona sul do país. Mediante marcação prévia e conforme disponibilidade, os visitantes poderão participar em atividades práticas para conhecer ainda mais de perto o universo do cacau, como a colheita, a quebra, entre outras.
Para garantir a qualidade da experiência, o Projeto Nossa Terra – Nosso Futuro apostou também na capacitação. Foram formados 17 participantes, entre guias locais, produtores de cacau e membros da direção da Associação de Produtores de Cacau de Qualidade de Água Izé, através de uma ação de formação com a duração de 71 horas. O Projeto apoiou ainda a preparação dos espaços de visita, com a construção de pontos de informação e a colocação de placas informativas ao longo do percurso.
A cerimónia de inauguração da Rota do Cacau do Sul contou com a presença do Ministro da Agricultura, Pescas e Desenvolvimento Rural, Nilton Garrido, do Embaixador de Portugal em São Tomé e Príncipe, Luís Leandro da Silva, do Representante do Presidente da Câmara Distrital de Cantagalo, Edson Barros, da Administradora Executiva do IMVF, Carolina Quina, do Diretor Executivo da CECAQ-11, Adalberto Luís, do Presidente da Associação de Produtores de Cacau de Qualidade de Água Izé, Rosiley dos Anjos, de guias locais e nacionais, dos residentes da comunidade de Água Izé, de microempreendedores e da equipa do projeto.
Ao aproximar a agricultura do turismo, o Projeto Nossa Terra – Nosso Futuro contribui para uma economia local mais diversificada, resiliente e sustentável, promovendo a valorização do património natural, agrícola e cultural de São Tomé e Príncipe.
Sobre a Rota do Cacau do Sul
A Rota do Cacau do Sul nasceu da necessidade de profissionalizar e melhorar a atividade de visitas ao Centro de Processamento de Cacau que a Associação de Produtores de Água Izé já realizava, em parceria com algumas agências turísticas, de forma tímida e pouco estruturada. Desta forma, esta Rota, que vem complementar e enriquecer com novas atividades as visitas ao Centro de Processamento, é uma iniciativa do Projeto Nossa Terra – Nosso Futuro, financiado pela Cooperação Portuguesa, idealizada em parceria com a CECAQ-11 – Cooperativa de Exportação de Cacau de Qualidade, a Associação de Produtores de Cacau de Qualidade de Água Izé e a Associação de Guias Locais da mesma comunidade, e pretende afirmar-se como um produto turístico que valorize de forma sustentável da zona sul de São Tomé, promovendo um turismo de base comunitário.
A Rota permite descobrir o Sistema Agroflorestal do Cacau de São Tomé e Príncipe, reconhecido em 2024 pela FAO como Sistema Importante do Património Agrícola Mundial (SIPAM), e dar a conhecer o arquipélago são-tomense, distinguido pela UNESCO, como o primeiro país do mundo cuja totalidade do território foi reconhecido como Reserva Mundial da Biosfera.
O percurso circular tem cerca de 2,5 km, uma duração média de duas horas, conduzido por guias locais formados para o efeito, e apresentando um nível de dificuldade moderado.
A gestão da Rota está centralizada na Associação dos Produtores de Cacau de Qualidade de Água Izé, que reúne mais de 10 anos na gestão técnica e financeira da produção e processamento do cacau, em parceria com a Associação dos Guias Locais de Água Izé. O modelo de gestão criado com o apoio do Projeto garante uma distribuição justa das receitas entre os diferentes intervenientes, nomeadamente os guias locais, os técnicos da associação, os agricultores que recebem visitantes nas suas parcelas, a associação de guias e um fundo para apoio aos desafios transversais do desenvolvimento que a comunidade enfrenta.
Ao participarem na Rota do Cacau do Sul, os visitantes estão a contribuir para a formação e o emprego de guias locais, a valorização do cacau e dos produtos locais, o aumento do rendimento de pequenos produtores, a conservação do Sistema Agroflorestal do Cacau e o desenvolvimento da comunidade de Água Izé.
Conheça as placas informativas desta Rota e o flyer promocional.
O Projeto Nossa Terra – Nosso Futuro é financiado pelo Camões, I.P., implementado pela AMVF – Associação Marquês de Valle Flôr com o apoio do IMVF – Instituto Marquês de Valle Flôr, em estreita parceria com o Ministério da Agricultura, Pescas e Desenvolvimento Rural de São Tomé e Príncipe e tem como objetivos específicos consolidar as fileiras de exportação, através da implementação de boas práticas agroecológicas, do reconhecimento dos produtos são-tomenses no mercado, e da inclusão do agroturismo para diversificação do rendimento das famílias dos agricultores.












