No âmbito do projeto Etikapun n’ha – Urok, Laboratório de Resiliência da Cultura Bijagó decorreu durante 2 semanas – entre 23 de outubro a 3 de novembro de 2018 – nas ilhas Urok (Formosa, Nago e Chediã), no arquipélago dos Bijagós, na Guiné-Bissau, uma assistência técnica sobre turismo sustentável pelos consultores Rodrigo Ozório e Denise Lima.

Esta missão teve como principais objetivos analisar o potencial da atividade de turismo responsável na Área Marinha Protegida Comunitária (AMPC) e lançar as bases para a construção e implementação de uma proposta de turismo sustentável. Em estreita articulação com a população residente, enquadrada na legislação e no 2.º Plano de Gestão da AMPC (2014-2023), bem como na estratégia nacional de turismo, esta proposta deverá promover a criação de oportunidades económicas para as comunidades locais, em particular para os jovens, e assegurar a conservação do património natural e sociocultural.

“Urok é definitivamente um território dotado de atributos singulares, conservado graças a um modelo de Área Protegida construído a partir de um sólido diálogo com a cultura e o conhecimento local. Todo esse processo resultou na criação de um sistema de gestão e governança da AMP próprio e inovador, com o selo Urok. Naturalmente, uma análise de propostas para o turismo num território singular (e sensível) como este, deve, necessariamente, colocar os atores envolvidos no centro desse processo”, refere Rodrigo Ozório, consultor brasileiro com uma ampla experiência em áreas protegidas, nomeadamente na Amazónia.

Esta assistência técnica envolveu a população residente nas ilhas Urok e a estrutura de gestão da AMPC. Como refere Rodrigo Ozório: “Foram realizadas entrevistas, visitas às comunidades e a empreendimentos turísticos nas proximidades da AMPC; levantamento de áreas potenciais, grupos focais com o Comité de Gestão da AMPC e com os jovens; além da realização de uma oficina participativa com representantes das 3 ilhas. Esses momentos tinham a finalidade de identificar perceções e expectativas, gerar reflexões e discutir ideias preliminares sobre o turismo.”

Foi implementada uma metodologia participativa que incluiu várias atividades, entre as quais se destacam: uma dramatização com a participação da comunidade e dos consultores para ilustrar dois tipos de turismo antagónicos (responsável e desordenado), utilizando Urok como cenário. “O teatro trouxe à tona elementos que ajudaram a facilitar a compreensão dos participantes sobre o turismo e gerar um debate produtivo sobre os prós e contras da atividade”, afirma o consultor. E um intercâmbio de informações entre a Amazónia e Urok. Do Brasil chegaram vídeo-testemunhos sobre uma liderança comunitária com 15 anos de experiência no Ecoturismo de Base Comunitária num contexto de Área Protegida Comunitária, em particular sobre a sua vivência na atividade, abordando pontos positivos e negativos e dando conselhos às comunidades de Urok.

Durante este processo participativo de recolha de informações, Rodrigo refere que “foi possível identificar potencialidades nos domínios do ecoturismo, turismo científico e pesca desportiva com controlo comunitário.”

Todos os produtos resultantes desta assistência técnica – estudo de viabilidade económica e ambiental do turismo na AMPC; proposta de modelo turístico; identificação dos locais para implementação de projetos/atividades turísticas – deverão servir de instrumentos de apoio à decisão dos órgãos de gestão da AMPC e constituir-se como instrumentos orientadores para agentes públicos e/ou privados que procurem operar na região.

Rodrigo Ozório sumariza: “Nas sábias palavras de uma liderança bijagó participante da oficina, podemos sintetizar em que condições o turismo em Urok deve ser pensado e avaliado: “A AMPC Urok é um exemplo; se o turismo for acontecer aqui tem que ser exemplar”.

O projeto Etikapun n’ha procura promover um processo sustentável de desenvolvimento nas ilhas Urok. Assim, tem vindo a trabalhar na dinamização dos sistemas produtivos e da economia local, no reforço ao acesso a serviços sociais de base e na operacionalidade das estruturas de gestão comunitária da AMPC.

Este projeto é cofinanciado pela União Europeia e pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P., e é implementado pelo IMVF e pela ONG guineense Tiniguena – Esta terra é nossa!