No contexto da capacitação das organizações e atores locais inerente ao projeto de Dinamização e Requalificação Turística na Ilha do Maio, em Cabo Verde, realizou-se em janeiro de 2019 duas ações de formação: uma em associativismo e gestão de pequenos negócios, dirigida aos técnicos da queijaria de Ribeira D. João e da Cooperativa de Sal da ilha, e outra em bijuteria, que se destinou aos artesãos da comunidade de Calheta.

A formação em associativismo e gestão de pequenos negócios, decorreu de 14 a 25 de janeiro, e procurou continuar o trabalho já desenvolvido com duas organizações – a Queijaria de Ribeira D. João e a Cooperativa do Sal – que têm vindo a ser apoiadas, tanto no quadro do presente projeto, como em projetos anteriores. A Queijaria de Ribeira D. João, constituída com o estatuto de associação no quadro do projeto de Reforço dos Atores Descentralizados, reúne os criadores e produtores desta comunidade, permitindo não só a centralização da produção numa unidade que reúne as normas sanitárias exigidas, como a dinamização comercial do produto, e uma melhor promoção e valorização do mesmo. A Cooperativa do Sal, composta maioritariamente por mulheres, explora as salinas do Porto Inglês, local emblemático da ilha do Maio e central para a sua promoção turística e económica.

Apesar do importante papel que ambas as organizações assumem na dinamização das atividades económicas da ilha do Maio, os seus líderes reconhecem as dificuldades que enfrentam, tanto a nível da participação dos seus membros, como da gestão produtiva e comercial. Assim, procurou-se com esta formação fornecer ferramentas básicas para a gestão e conhecimento dos direitos e deveres de cada membro dentro da respetiva associação/cooperativa e ainda formar em noções básicas de gestão e contabilidade. A formação dirigida aos técnicos da Queijaria de Ribeira D. João contou com 12 participantes e a formação dirigida aos técnicos da Cooperativa de Sal contou com 10 participantes.

A formação em bijuteria, que decorreu entre 10 e 12 de janeiro, veio completar um pacote formativo na área do artesanato, ministrado pela ONG Sfera Mundi, no quadro do qual já tinham sido realizadas outras ações de formação em novembro de 2018. Esta formação, que contou com 10 participantes, teve como público alvo os artesãos que produzem, ou estão interessados em produzir, artigos de bijuteria, alguns deles membros do Coletivo de artesãos da Calheta, região conhecida como a “comunidade artística” da ilha. Para alguns dos formandos esta foi uma oportunidade de consolidar aprendizagens, nomeadamente ao nível das técnicas de utilização dos materiais anteriormente cedidos pelo projeto. A promoção do artesanato local é um fator essencial para a valorização da ilha do Maio enquanto destino turístico, assumindo-se enquanto atividade tradicional que, com o aumento previsto do número de turistas a frequentar a ilha, poderá contribuir para a geração de rendimentos e melhoria das condições de vida da população local. A capacitação dos artesãos da ilha revela-se essencial para garantir este papel.

O Projeto de Dinamização e Requalificação Turística na Ilha do Maio tem como principais objetivos promover o empreendedorismo local e a requalificação urbana como fatores de desenvolvimento socioeconómico, turístico e cultural sustentável na ilha do Maio, contribuindo deste modo para a melhoria das condições de vida da população.

Este projeto é financiado pela União Europeia, com o apoio do Camões, I.P., é implementado pelo IMVF, pela Câmara Municipal do Maio e pela Câmara Municipal de Loures, tem como entidade associada a Sociedade de Desenvolvimento Turístico das Ilhas da Boa Vista e Maio.