O Observatório da Paz – Nô Cudji Paz celebrou, no passado dia 30 de janeiro de 2024, no bairro de Háfia em Bissau, o Dia Nacional das Mulheres guineenses numa ação comunitária denominada “Roda das Mulheres”, sob o tema “Mindjer I motor di Paz”. O objetivo foi contribuir ativamente para a reflexão sobre o papel da mulher na Prevenção do Radicalismo e ao Extremismo Violento (PREV).

O evento, que reuniu mais de 150 participantes, integra as atividades planeadas pelo Observatório da Paz e marca a segunda edição da Roda de Mulheres. Esta iniciativa, realizada num contexto de envolvimento comunitário, contou com a participação de diversas entidades locais, incluindo associações de mulheres, líderes religiosos, e associações de jovens e adolescentes.

A cerimónia solene de abertura foi liderada pelo representante da Ministra da Mulher, Família e Solidariedade Social, Lúcio Rodrigues, que também exerce o cargo de Diretor-Geral da Proteção Social do mesmo ministério. Lúcio Rodrigues destacou a determinação e a perseverança das mulheres em várias áreas da vida nacional, tendo feito referência à heroína Titina Sila como um exemplo de luta pela liberdade e desenvolvimento do país.

Edmar Nhaga, na qualidade de Segundo Vice-Presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH), destacou que Titina Sila lutou incansavelmente pela igualdade entre homens e mulheres em todos os setores da vida pública e privada. Nhaga referiu igualmente que Ernestina Titina Sila sonhava em estabelecer oportunidades iguais para ambos os sexos, garantindo igualdade de salários para trabalho igual, uma maior representatividade das mulheres nos processos decisórios e a criação de uma sociedade livre da violência de género. Além disso, mencionou a importância de erradicar práticas tradicionais prejudiciais à saúde das meninas, como a mutilação genital feminina e os casamentos precoces e forçados.

O Embaixador da União Europeia em Bissau, Dr. Artis Bertulis, enfatizou que as iniciativas para promover a paz, o diálogo e combater o extremismo e a radicalização são incompletas sem a participação ativa das mulheres. O Embaixador alertou para o aumento da radicalização e do extremismo entre os jovens na Guiné-Bissau, ressaltando o risco do crescimento da violência de género contra mulheres e raparigas. Portanto, afirmou ser “imperativo dar o devido e merecido destaque às vozes das mulheres deste país, reconhecendo o papel crucial que desempenham na promoção de uma sociedade pacífica e segura“.

Rita Semedo em representação da comunidade local destacou não apenas a importância de envolver as mulheres no combate ao radicalismo e extremismo violento na sociedade guineense, mas reconheceu, também, os desafios que as mulheres guineenses enfrentam ao estar muitas vezes afastadas das atividades sociais devido às responsabilidades diárias com as tarefas domésticas essenciais para assegurar o sustento das suas famílias. Por isso, solicitou apoio para essas mulheres, especialmente na sua comunidade, Háfia.

A segunda parte do evento foi animada pela atuação do grupo cultural Usso Foral, que apresentou danças tradicionais guineenses. O grupo, dividido em subgrupos conforme o género, proporcionou uma demonstração folclórica que entusiasmou a audiência.

Após o momento cultural, seguir-se-iam atividades que requeriam maior engajamento e participação ativa de todas e todos os participantes, designadamente para debater: 1. a integração de género na prevenção do radicalismo e do extremismo violento; 2. o papel das mulheres no espaço público de diálogo e concertação social para a consolidação da paz e coesão social. No entanto, essa agenda promissora foi abruptamente interrompida por uma intervenção policial desproporcional. As forças de segurança utilizaram gás lacrimogéneo para dispersar estudantes adolescentes que protestavam contra a nomeação do novo diretor do Liceu de Háfia.

Importa ressaltar que a data de 30 de janeiro, coincidindo com o aniversário da morte de Ernestina Titina Sila, foi oficialmente designada pelo Governo da Guiné-Bissau como o “Dia Nacional das Mulheres”. Essa homenagem não apenas reconhece o legado de Titina Sila, mas também presta homenagem a todas as mulheres que lutaram pela independência do país e pela igualdade de oportunidades entre ambos os sexos.

O projeto Observatório da Paz – Nô Cudji Paz é financiado pela União Europeia e cofinanciado pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P, implementado pelo Instituto Marquês de Valle Flôr (IMVF) e pela Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH). A ação pretende contribuir para o diálogo e para a promoção da paz, através do reforço da participação, do trabalho em rede e do estabelecimento de parcerias estratégicas com a sociedade civil, designadamente, abrangendo, diretamente, as mulheres jovens e adultas, com vista à prevenção da radicalização e do extremismo violento na Guiné-Bissau.

A ação contribui diretamente para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS):

  • ODS 5 – Igualdade de Género– Alcançar a igualdade de género e empoderar todas as mulheres e raparigas.
  • ODS 16 – Paz, justiça e Instituições Eficazes – Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas a todos os níveis.

 

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