
O Projeto Transição Verde – Turismo e Comunidades na Proteção da Biodiversidade em São Tomé e Príncipe promoveu, na manhã do dia 28 de outubro de 2026, uma visita guiada à Rota do Cacau do Sul, em Água Izé, dirigida a guias e operadores turísticos.
A iniciativa teve como objetivo dar a conhecer esta Rota aos profissionais do setor do turismo, permitindo-lhes avaliar o potencial deste itinerário para a integração em propostas e experiências turísticas, contribuindo para a dinamização da economia local da região sul de São Tomé.
A Rota do Cacau do Sul constitui uma oportunidade para divulgar a história e a tradição da produção de cacau, destacando a importância desta cultura na identidade e no património de São Tomé e Príncipe. Através da articulação entre património agrícola, natureza e comunidades locais, este percurso apresenta potencial para diversificar a oferta turística e promover experiências que aproximem os visitantes da realidade do território.
Esta iniciativa enquadra-se nos objetivos do Projeto Transição Verde – Turismo e Comunidades na Proteção da Biodiversidade em São Tomé e Príncipe, que aposta na promoção de um modelo de turismo mais sustentável, inclusivo e assente na valorização da biodiversidade e do património natural e cultural de São Tomé e Príncipe, reforçando o papel das comunidades locais na proteção e valorização dos seus territórios.
Sobre a Rota do Cacau do Sul
Conduzido por guias locais formados para o efeito, o percurso da Rota tem cerca de 2,5 km, uma duração entre 1 a 2 horas e apresenta um nível de dificuldade moderado. A Rota do Cacau do Sul convida os visitantes a conhecerem o Centro de Processamento de Cacau da Associação de Produtores de Cacau de Qualidade de Água Izé, a explorar o património histórico e arquitetónico da comunidade, e a percorrer parcelas agrícolas integradas no Sistema Agroflorestal do Cacau reconhecido em 2024 pela FAO como Sistema Importante do Património Agrícola Mundial (SIPAM). Ao longo da visita, é possível acompanhar as diferentes etapas da produção e do processamento do cacau e compreender a sua importância económica, social e cultural para as comunidades locais.
Mais do que uma visita, esta Rota afirma-se como um produto turístico inovador em São Tomé e Príncipe, aliando a promoção do património agrícola e cultural, valorizando um dos produtos mais emblemáticos de São Tomé e Príncipe – o Cacau –, e proporcionando aos visitantes uma experiência imersiva e sensorial em torno da produção de cacau, da vida da comunidade e das tradições locais da zona sul do país. Mediante marcação prévia e conforme disponibilidade, os visitantes poderão participar em atividades práticas relacionadas com o universo do cacau, como a colheita, a quebra, entre outras.
A gestão da Rota está centralizada na Associação dos Produtores de Cacau de Qualidade de Água Izé, que reúne mais de 10 anos na gestão técnica e financeira da produção e processamento do cacau, em parceria com a Associação dos Guias Locais de Água Izé. O modelo de gestão garante uma distribuição proporcional das receitas entre os diferentes intervenientes, nomeadamente os guias locais e sua associação, os técnicos da associação de cacau, os agricultores que recebem visitantes nas suas parcelas, a associação de guias e um fundo para apoio aos desafios transversais do desenvolvimento que a comunidade enfrenta.
Ao percorrerem a Rota do Cacau do Sul, os visitantes contribuem para a valorização do património histórico, cultural e natural da região, para a dinamização da economia local e para a criação de oportunidades para as comunidades.
A Rota do Cacau do Sul está a ser desenvolvida no âmbito da criação de um circuito de agroturismo na zona sul, concretamente em Água Izé, que incluirá outras dimensões como o museu do cacau que será inaugurado em 2027, a legalização e emancipação económica e social dos membros da Associação Mãos de Mulher, através de formações em olaria, costura, artesanato e apoio à comercialização destes produtos, reabilitação de uma infraestrutura para realização de residências artísticas, entre outras atividades.
O Projeto Transição Verde – Turismo e Comunidades na Proteção da Biodiversidade em São Tomé e Príncipe é financiado pela União Europeia e coordenado e implementado pelo Instituto Marquês de Valle Flôr (IMVF) em estreita parceria com o Ministério do Ambiente, Juventude e Turismo Sustentável de São Tomé e Príncipe, e em articulação com o Ministério da Agricultura, Pescas e Desenvolvimento Rural de São Tomé e Príncipe. Tem como parceiros a Fundação Fluta Non, a Associação Roça Mundo e a Fundação Príncipe.









