Dia de lumo, a feira semanal que decorre todas as 2.ªs feiras nos mercados da Guiné-Bissau. Estamos no mercado de Gã Mamudo, em Ganadu, na região de Bafatá. À venda produtos como pimenta, tomates, pimentos, cebolas, beringelas, mancarra (amendoim), melancia, peixe seco e galinhas.

Com o objetivo de contribuir para melhorar o escoamento dos produtos agrícolas produzidos na região de Bafatá, para a dinamização das cadeias de valor dos produtos agrícolas e, consequentemente, para o desenvolvimento agro económico da região, a construção do mercado de Gã Mamudo surgiu como uma das prioridades identificadas no Plano de Desenvolvimento Agrícola da região de Bafatá, no quadro do projeto UE-ACTIVA – Eixo 1: Governação Territorial. O mesmo aconteceu com a construção dos mercados de Komo, na região de Tombali e de Nova Sintra, em Quinara.

Inaugurado no dia 24 de janeiro de 2018, o mercado inclui um hangar com mesas e bancos e capacidade para cerca de 50 pessoas, 6 espaços (cacifos) para a realização de pequenos negócios e duas latrinas. O mercado recebeu também painéis solares para os cacifos e para o hangar, e bidons para armazenar água nas latrinas. Beneficiou ainda de uma zona de restauração. As senhoras que aí trabalham receberam fogões melhorados.

Com uma gestão partilhada entre as autoridades locais e a comunidade, o mercado de Gã Mamudo beneficia Ganadu, uma região com grande potencial agrícola (horticultura e orizicultura), com uma população total de 25000 pessoas, bem como os setores vizinhos de Mansabá, Contuboel e Bafatá.

Nas 3 regiões-alvo do projeto – Bafatá, Tombali e Quinara – a construção dos mercados seguiu uma mesma metodologia de trabalho, em permanente diálogo com a comunidade e as autoridades locais.

Em primeiro lugar foi consultado o Plano de Desenvolvimento Local, desenvolvido pelo projeto para a regiões e para os setores, e identificadas as necessidades prioritárias e os respetivos impactos positivos na comunidade.

Foram realizados encontros de auscultação com os atores locais sobre a construção do mercado, foi assinado um termo de compromisso da contrapartida da comunidade nas obras de construção do mercado (fornecimento dos materiais locais, como areia e pedras). Posteriormente, foi lançado um concurso público para a elaboração do desenho gráfico e construção dos mercados, e contratado um fiscal e um supervisor das obras.

A primeira pedra para a construção do mercado de Gã Mamudo foi lançada no dia 30 de agosto de 2017 e o início das obras aconteceu em setembro do mesmo ano. As obras tiveram a duração de 3 meses.

Foi elaborado, aprovado e assinado um Memorando de Entendimento para a gestão partilhada do mercado, que incluiu a constituição dos órgãos de gestão e partilha de receitas, antecedido de um encontro de esclarecimento sobre o mesmo.

A construção dos 3 mercados incluiu o apoio à comunidade na definição dos termos de gestão do espaço, com o apoio dos técnicos do projeto, que têm trabalhado em conjunto com as autoridades locais e com a comunidade na definição dos termos do Comité de Gestão Mercado.

Também de forma a permitir a dinamização das atividades económicas após a construção dos mercados e respondendo à necessidade de crédito identificada nos Planos de Desenvolvimento Agrícolas Regionais, foi criado um Sistema de Poupança e Crédito Rotativo. Esta atividade foi implementada pela equipa de projeto e por um consultor contratado para o efeito, a quem coube a tarefa de desenvolver o modelo de gestão de poupança e crédito, dar formação aos animadores e aos grupos de poupança e crédito – 8 grupos constituídos em Komo, 10 em Nova Sintra e 13 em Bafatá, com cerca de 15 a 20 pessoas – e monitorizar a implementação dos fundos. No caso da região de Bafatá, o animador da ONG DUVITEC teve como função a identificação dos indivíduos/grupos a incluir neste sistema, sob supervisão do especialista, acompanhar o especialista na formação dos grupos e implementar o sistema através de um plano pré-definido.

O UE-ACTIVA (Ações Coletivas e Territoriais Integradas para a Valorização da Agricultura) é um programa de desenvolvimento rural integrado, financiado pela União Europeia. O seu Eixo 1 – Governação Territorial é cofinanciado pelo Camões, I.P., com duração prevista até 2019 e um orçamento de 4.444.444 €.