“A população da Guiné-Bissau está mais sensibilizada para dar sangue”, afirma Joana Cortez, coordenadora clínica do PIMI II – Programa Integrado para a Redução da Mortalidade Materna Infantil, na Guiné-Bissau no final da campanha de recolha de sangue, organizada pelo IMVF, com apoio do Ministério da Saúde Pública da Guiné-Bissau, entre 19 e 31 de janeiro de 2019, abrangendo a totalidade do território guineense.

Os resultados obtidos foram muito positivos. “Conseguimos estar presentes nos 12 bancos de sangue do país, dois deles em Bissau, e a campanha foi um sucesso pela dinamização global que conseguimos fazer”, afirma Joana Cortez, que refere que durante a campanha (13 dias) foram colhidas 217 bolsas de sangue, num total de 355 dadores.

Num país com uma das taxas mais altas de mortes maternas do mundo e em quase metade da mortalidade materna ocorre devido a hemorragia pós-parto, esta campanha teve como principal objetivo sensibilizar a população guineense para a importância da dádiva de sangue.

“Isto é muito bom num país como a Guiné-Bissau, onde existe esta diversidade étnica e cultural e a sensibilização da população para a colheita de sangue pode ser um pouco mais difícil de se conseguir”, salientou. Para Joana Cortez, a população guineense está cada vez mais sensibilizada para este assunto e para a importância de ter sangue disponível nos bancos de sangue.

A coordenadora explicou também que houve muito mais pessoas a disponibilizarem-se para dar sangue, mas que não foi possível fazer a doação, porque tem de “ser ajustada às necessidades do banco de sangue”.

“A bolsa só pode ser usada no prazo de 35 dias, depois o sangue estraga-se, mesmo conservado nas hemotecas”, explicou, salientando que é preciso repetir mais campanhas ao longo de tempo, podendo ser feita uma nova em março, mas mais pequena.

Esta campanha contou também com o apoio das empresas de telecomunicações guineenses MTN e Orange, que tiveram a seu cargo uma componente de divulgação da campanha via SMS, bem como das rádios Sol Mansi e Difusão Nacional.

O PIMI II teve início em junho de 2017 e tem como objetivo global contribuir para a redução das mortalidades materna, neonatal e infantojuvenil, visando a componente a cargo do IMVF assegurar um melhor acesso a cuidados de saúde de qualidade a mulheres grávidas e puérperas (até 45 dias após o parto) e crianças até aos 5 anos na Guiné-Bissau. Este programa é implementado pelo IMVF em parceria com o Ministério da Saúde Pública da Guiné-Bissau, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e com a Entraide Médicale Internationale (EMI), sendo financiado pela União Europeia com o apoio do Camões. I.P.

Fotos: Luísa Araújo