O projeto Observatório da Paz – Nô Cudji Paz capacitou 80 mulheres jovens e adultas guineenses para a prevenção do radicalismo e extremismo violento (PREV) em duas sessões de formação realizadas em Buba, nos dias 26 e 27 de maio, e em Canchungo, nos dias 1 a 2 de junho de 2024.

As ações de formação dotaram as formandas de conhecimentos e técnicas para identificar precocemente os sinais e comportamentos associados ao Radicalismo e Extremismo Violento (REV), fortalecendo as suas competências para promover a paz e a coesão social.

As sessões de abertura contaram com a presença de Bubacar Turé, Presidente da LGDH e Coordenador do projeto. Turé, enquanto ativista dos direitos humanos, enfatizou que “as mulheres possuem potencialidades naturais para a prevenção e resolução de conflitos, as quais devem ser utilizadas para a PREV na Guiné-Bissau.”.

Durante os quatro dias de formação, foram abordados conteúdos abrangentes sobre a PREV, com destaque para o panorama mundial e sub-regional da África Ocidental. A formação incidiu sobre a identificação de sinais e manifestações de radicalismo e extremismo, bem como a situação específica da Guiné-Bissau.

Também foram apresentados e discutidos temas como a impunidade e a justiça; estratégias de manipulação de jovens e mulheres para disseminação de ideologias radicais; mecanismos de coordenação entre diferentes organizações da sociedade civil no âmbito da PREV; o papel das mulheres na consolidação da paz e da PREV.

A metodologia participativa adotada nas duas sessões de formação permitiu que as participantes partilhassem diversos casos que consubstanciam a radicalização e extremismo violento nas suas comunidades. As formandas relataram conflitos com motivações étnicas e religiosas nas regiões de Quinará e Tombali, incluindo casos que resultaram na segregação dos locais de culto por etnia.

Além disso, foram discutidos outros fatores que alimentam os conflitos nas comunidades, como as disputas de posse de terra; o roubo de gado; a criminalidade organizada, incluindo o tráfico de droga; acusações e agressões contra cidadãos acusados de praticar feitiçaria; e a inoperância do sistema judiciário. Esses problemas foram, particularmente, destacados nas regiões de Cacheu e Oio.

Foram também relatados casos de discurso de ódio nas redes sociais, motivados por disputas políticas, e episódios de intolerância religiosa entre seguidores da religião tradicional africana (animismo) e os crentes de religiões monoteístas. De acordo com o testemunho de várias participantes, o país corre o risco de agravamento da situação de REV, se medidas concretas de prevenção inclusiva não forem adotadas pelas autoridades competentes.

No final das duas ações de formação, as participantes recomendaram a realização de novas iniciativas direcionadas a diferentes atores nacionais no domínio da prevenção da REV; a necessidade do reforço das ações de sensibilização comunitária; e a criação de mecanismos de articulação entre as autoridades nacionais e diferentes atores religiosos e tradicionais, através de espaços de concertação regionais, para a prevenção eficaz deste fenómeno na Guiné-Bissau.

Importa acrescentar que estas sessões de formação foram facilitadas por técnicos do Observatório anteriormente capacitados pelo Instituto Timbuktu, um think tank senegalês com experiência na temática.

O Observatório da Paz – Nô Cudji Paz é um projeto financiado pela União Europeia e cofinanciado pelo CamõesInstituto da Cooperação e da Língua, I.P, implementado pelo Instituto Marquês de Valle Flôr (IMVF) e pela Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH). A ação pretende contribuir para o diálogo e para a promoção da paz, através do reforço da participação, do trabalho em rede e do estabelecimento de parcerias estratégicas entre as organizações da sociedade civil e outros atores sociais e políticos, com vista à prevenção da radicalização e do extremismo violento na Guiné-Bissau.

A ação contribui diretamente para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS):

ODS 16 – Paz, justiça e Instituições Eficazes – Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas a todos os níveis.

 

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