
“O trabalho foi produtivo e bem-sucedido. O plano cirúrgico, de consultas, e formação foi cumprido na generalidade (…). A equipa reforça o compromisso continuado com a melhoria dos cuidados de saúde prestados à população são-tomense”, Dra. Maria João Machado, coordenadora da Missão.
A Missão Médico-Cirúrgica de Neurocirurgia e Cuidados Intensivos Pediátricos no âmbito do Projeto Saúde para Todos – Consolidação do Sistema Nacional de Saúde de São Tomé e Príncipe exerceu atividade no Hospital Dr. Ayres de Menezes (HAM), em São Tomé, entre 28 de janeiro e 7 de fevereiro.
Foram realizadas 12 consultas de especialidade de neurocirurgia pediátrica, avaliação pré-anestésica e pediatria geral (entre 10 primeiras consultas e 2 de retorno), com os principais diagnósticos de hidrocefalia, mielomeningocelo, atraso de desenvolvimento, alterações da marcha e sequelas pós traumatismo crânio-encefálico; e 5 intervenções cirúrgicas (encerramento de mielomeningocelo e cirurgias de derivação de líquido cefalo-raquídeo).
Realizaram-se diversas ações de formação teórico-práticas junto dos profissionais de saúde são-tomenses, nomeadamente em cuidados intensivos pediátricos, em neurocirurgia e em anestesia, com realce para a formação “O Doente Neurocrítico Pediátrico” dirigida a profissionais de saúde envolvidos nos cuidados pediátricos a nível hospitalar, ministrada nos dias prévios ao início da missão cirúrgica com o objetivo de envolver e capacitar as equipas prestadoras de cuidados, tendo sido abordada a otimização de recursos estruturais, funcionais e técnicos necessários ao desenvolvimento com segurança e eficiência da vertente assistencial da missão de neurocirurgia; e formação específica para a equipa de enfermagem do serviço de pediatria sobre “Sistematização da abordagem ABCDE no doente crítico”.
“Nos últimos anos, e fruto do investimento formativo, temos verificado progressos muito relevantes e consistentes na qualidade e segurança da abordagem do doente crítico pediátrico.”, refere a Dra. Sofia Carneiro, médica pediatra dos cuidados intensivos do Hospital de Dona Estefânia – Unidade Local de Saúde de São José. “Esta aposta na formação das equipas clínicas foi decisiva para o avanço para cirurgias mais complexas e, por isso, mais desafiantes aos recursos humanos, logísticos e estruturais.”, afirma.
A melhoria da preparação pré-operatória dos doentes e capacitação da equipa médica e de enfermagem com o desfasamento das equipas e ida uns dias antes da equipa de Pediatria foi essencial ao sucesso da missão: “Considerámos imprescindível reintroduzir um período formativo e de otimização de recursos e processo prévio à missão que foi, sem dúvida, essencial para o sucesso da missão cirúrgica e que julgamos ser para manter nas próximas missões.”, acrescentou a Dra. Sofia Carneiro. “Realçamos o interesse e empenho que as equipas demonstraram quer na componente formativa, quer na prestação de cuidados diretos aos doentes que, acreditamos ser também fruto da relação de confiança formativa construída ao longo dos anos.”, sublinhou.
A missão foi constituída por uma equipa multidisciplinar de profissionais de saúde: duas médicas especialistas em neurocirurgia, com experiência em neurocirurgia pediátrica, Dra. Maria João Machado, da ULS Braga – Hospital de Braga, e Dra. Maria Manuel Santos, da ULS Santa Maria – Hospital Santa Maria, duas médicas anestesistas, Dra. Joana Figueiredo, do Hospital da Luz, e a Dra. Joana Marques, do Hospital das Forças Armadas – Porto, as médicas pediatras, Dra. Sofia Carneiro, da ULS São José – Hospital Dª Estefânia e a Dra. Swasilanne Bandeira, do Hospital Dr. Ayres Menezes, e a Enfermeira Carla Abreu, da ULS São José – Hospital Dª Estefânia.
O Programa Saúde para Todos tem vindo a promover a acessibilidade, equidade e eficácia na provisão de serviços de saúde em São Tomé e Príncipe. A intervenção no âmbito das missões médicas ao país tem demonstrado substanciais ganhos clínicos, humanos, económicos e sociais. Tem contribuído de forma vital para o desenvolvimento sustentável de São Tomé e Príncipe, ao permitir a prevenção, tratamento e monitorização de casos clínicos – que de outra forma apenas poderiam ser resolvidos fora do território –, evitando, assim, o desmembramento de famílias e garantindo o imprescindível apoio clínico e familiar, neste caso a crianças intervencionadas no seu país de origem.
O projeto Saúde para Todos – Consolidação do Sistema Nacional de Saúde de São Tomé e Príncipe é implementado pela AMVF – Associação Marquês de Valle Flôr, pelo IMVF – Instituto Marquês de Valle Flôr, em estreita parceria com o Ministério da Saúde de São Tomé e Príncipe e financiado pela Cooperação Portuguesa, através do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P.






