
Um pavilhão com três salas construído no âmbito de um fundo de desenvolvimento local com 48,8 mil euros; os responsáveis elogiam o processo de tomada de decisões e gestão pela comunidade.
Na quinta-feira (15 de outubro de 2026), um pavilhão com três salas de aula foi oficialmente entregue à Escola Nacional de Administração (ENA) em Bafatá, numa cerimónia que contou com a presença das autoridades locais, representante da Delegação da União Europeia na Guiné-Bissau, membros da sociedade civil e líderes comunitários.
O edifício, construído de raiz no âmbito do Fundo de Desenvolvimento Local (FDL), faz parte do projeto “Boa Governação”, que visa reforçar as organizações da sociedade civil para a boa governação e o desenvolvimento na Guiné-Bissau. As instalações têm capacidade para 75 alunos, com 25 lugares em cada sala de aula.
«Esta iniciativa na ENA demonstra que, quando a comunidade participa, é possível dar resposta a necessidades reais, com transparência, responsabilização e resultados concretos», afirmou Torben Nilson, chefe da Secção Política, de Imprensa e Informação da Delegação da União Europeia na Guiné-Bissau, que presidiu à cerimónia de entrega. Nilson destacou a transparência como elemento essencial na execução das obras, salientando que «os procedimentos seguidos reforçam a confiança da comunidade e constituem um exemplo concreto de governação local».
«O trabalho realizado na ENA, em Bafatá, merece ser valorizado como um exemplo de participação cidadã, boa gestão e investimento no futuro dos jovens», acrescentou o Chefe da Seção Política, elogiando o Grupo de Ação Local (GAL) da cidade de Bafatá, que implementou a construção do pavilhão.
Racinela Silva, coordenadora do IMVF responsável pelo projeto “Boa Governação”, sublinhou que a construção do pavilhão resultou de uma consulta à população da cidade e de um consenso entre 22 comunidades de Bafatá.
«Este é um verdadeiro ato de soberania popular, ou seja, nós, o povo, elegemos a prioridade para a nossa cidade, identificámos as necessidades sociais e a forma de as resolver», começou por dizer. Silva sublinhou o papel do GAL de Bafatá, que se empenhou «incansavelmente» em estratégias de sensibilização da comunidade para concretizar o projeto de construção. Reconheceu também as contribuições dos residentes: «Aos cidadãos de Bafatá, o meu reconhecimento pela determinação e empenho demonstrados.»
Mamadi Queluntam Indjai, em representação do Diretor-Geral da ENA, reconheceu que as novas salas de aula iriam melhorar o ambiente e proporcionar aos alunos as condições de aprendizagem necessárias.
«Esta infraestrutura garantirá uma formação de melhor qualidade e dará um contributo importante para o processo de descentralização e para os futuros municípios da cidade de Bafatá», afirmou Indjai, apelando à utilização adequada das instalações para que possam servir os alunos e os residentes de Bafatá, tal como inicialmente previsto.
Uri Cali Sani, em representação da Direção Regional de Educação, agradeceu aos doadores, mas apelou também aos pais e tutores para que incentivem a educação dos seus filhos.
«A escola é uma prioridade nas nossas vidas e é um espaço de partilha de conhecimento para o desenvolvimento do nosso país. É por isso que é importante deixar os nossos filhos estudar. As regiões de Bafatá e Gabú receberam apoio de parceiros em todas as áreas, mas são zonas do país com as taxas de escolarização mais baixas. Aproveitamos esta oportunidade para apelar às comunidades para que deixem os seus filhos, especialmente as raparigas, estudar», apelou Sani.
No âmbito do projeto “Boa Governação”, o Fundo de Desenvolvimento Local foi dotado com 32 milhões de francos CFA — cerca de 48,8 mil euros — por cada uma das cinco cidades abrangidas (Bafatá, Gabú, Canchungo, Buba e Bolama), num total agregado de 160 milhões de francos CFA (≈244 mil euros). Com base nesse montante, os residentes discutiram prioridades, chegaram a um consenso e escolheram um problema a resolver; os habitantes de Bafatá optaram pela construção de um novo pavilhão na Escola Nacional de Administração.
O projeto “Boa Governação”, financiado pela União Europeia e pelo Camões – Instituto da Cooperação e Língua, I.P, está a ser implementado ao longo de um período de três anos, de 2024 a 2027. É implementado pelo Instituto Marquês de Valle Flor (IMVF) e pela Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH).



