
Fotografia de grupo para a inauguração do parque fotovoltaico
“Florencia é a capital do departamento de Caquetá, situada na fronteira amazónica do sul da Colômbia. Rodeada por uma selva exuberante, rios cristalinos e montanhas que emolduram a paisagem, consolidou-se como um destino ideal para quem procura uma ligação profunda com a natureza, experiências culturais autênticas e atividades de aventura. Os seus trilhos ecológicos, miradouros naturais e reservas acessíveis permitem descobrir a enorme biodiversidade que caracteriza esta região de transição entre os Andes e a Amazónia. Além disso, a sua população conserva tradições enraizadas que se refletem na gastronomia, nas festividades e na relação de respeito com o meio ambiente.”
O excerto da página da SATENA – Serviço Aéreo para Territórios Nacionais – a empresa de transportes aéreos detida pelo estado colombiano e a operar sob o controlo da Força Aérea Colombiana, pinta uma boa descrição do destino. Sentados no avião ATR-72-600, com capacidade até 78 lugares, os passageiros olham através da janela para absorver a beleza da paisagem. Os seus rios, o império verdejante e até o som dos pássaros ao desembarcar, leva-os a considerar que aquela descrição é feliz e, quiçá, aquém, sobretudo porque pouco infere sobre as maravilhosas gentes e a sua amabilidade e prestabilidade, de um sorriso e um saber receber genuíno.
A Amazónia colombiana na encruzilhada do desenvolvimento económico
Infelizmente, porém, a realidade é sempre mais complexa. A desflorestação na Colômbia aumentou 43% entre 2023 e 2024, lemos no jornal El País. Segundo o artigo, a “perda de florestas passou de um mínimo histórico de 72 000 hectares para 113 000.” Todavia, apesar do aumento, segundo o El País, “trata-se do segundo valor mais baixo em 24 anos de monitorização.” E parte da explicação não consta nos postais turísticos: a principal causa é o recrudescimento do conflito armado. Os grupos armados influenciam as cinco principais atividades que devastam as florestas, conforme cita o artigo do El País: “a criação de pastagens para alimentar animais, as más práticas da pecuária extensiva, as infraestruturas de transporte não planeadas, as culturas ilícitas e a mineração ilegal”.
Caquetá registou a maior perda florestal, com quase 30 000 hectares desmatados, seguida por Guaviare e Putumayo. “Grande parte dos danos ocorreu perto de territórios indígenas e de corredores ecológicos vitais, cruciais para a vida selvagem”, refere um relatório independente da Procuradoria-geral da Colômbia.
Para compreendermos as causas da desflorestação, devemos olhar para o contexto económico do país. A administração pública e defesa continuam a ser o maior empregador a nível nacional, assegurando mais de 55% dos postos de trabalho, seguido de perto pelo comércio grossista e retalhista, simbolizado pelo centro comercial ao ar livre que aparenta ser a cidade de Florencia.
Porém, a 3.ª principal atividade económica é relevante: agricultura, pecuária, caça, silvicultura e pesca. A agricultura e a pecuária manifestam-se até ao sobrevoar o departamento, que conta com produtos tão icónicos como o café, algodão, arroz, banana, cacau, cana-de-açúcar, carne bovina, cebola, leite e queijo bovino, milho, manga, óleo de palma, entre outros produtos. A nível de exportações da região, destaca-se o cacau que, nas suas diferentes preparações, contabilizou cerca de 93 mil dólares norte-americanos em 2023.
A desflorestação, que consiste na eliminação em grande escala de florestas, seja por ação humana ou por fenómenos naturais, tem consequências significativas para o ambiente e a biodiversidade. As florestas, para além de serem habitats diversificados, desempenham um papel crucial na regulação do clima, na conservação do solo e no fornecimento de recursos essenciais, como o oxigénio.
No portal G1 da Globo lemos: “A Amazónia ajuda a arrefecer o mundo.” Fá-lo ao captar e armazenar milhões de toneladas de dióxido de carbono. Mas o G1 adiciona outro aspeto: “A Amazónia também é especialista em produzir e disseminar a chuva, com os seus rios voadores. São fluxos de vapor de água que são conduzidos pelos ventos para outras regiões”. Em consequência, “essa humidade proveniente da floresta garante água para os rios, as plantações, e os reservatórios”.
Adianta ainda que quase metade das emissões dos gases de efeito de estufa são causados por ação humana a nível do solo: a prática de queimadas, a desmatação, a degradação de florestas e a criação de pastagens.

Campos de pasto perto de La Montañita, com as montanhas como pano de fundo
A importância do território no caminho para a paz
Em Caquetá, todas estas ações humanas estão fortemente relacionadas com um segundo ponto ausente do postal turístico: a evolução dos acordos de paz de 2016.
O relatório da ONU de 2025 destaca que, embora o Acordo de Paz de 2016 tenha trazido avanços notáveis, como o desarmamento de 9.000 armas das FARC-EP e a transição política do grupo, os desafios estruturais persistem. A violência continua a afetar as regiões rurais, com um aumento progressivo nos indicadores de conflito nos últimos anos.
Os “firmantes de la paz”, ex-combatentes que depuseram as armas e assinaram os acordos de paz, são particularmente vulneráveis: desde então, 460 foram assassinados, incluindo mulheres, indígenas e afrocolombianos. Entre dezembro de 2024 e março de 2025 registaram-se 19 casos, um aumento significativo comparando com a tendência registada.
A reincorporação sustentável destas pessoas enfrenta obstáculos como o acesso limitado a terra (apenas 14 dos 24 ETCR – Espacios Territoriales de Capacitación y Reincorporación, zonas designadas pelo governo colombiano para o assentamento dos firmantes de paz – têm terras garantidas), e muitos sofrem com a falta de desenvolvimento económico nas regiões onde se encontram.
É por isso que trabalhar na área do desenvolvimento económico rural e sustentável com os firmantes é crucial porque apoia a segurança para quem deixou as armas e fortalece a legitimidade do processo de paz ao prevenir que estes agentes centrais reincidam em atividades ilícitas que geram novos ciclos de violência. Este é também um mecanismo essencial para promover a justiça transicional através da Jurisdição Especial para a Paz, pois apenas com proteção efetiva e oportunidades económicas concretas se pode reduzir o risco de dissidência, ameaçando a paz sustentável para todos os colombianos.

Visitantes no evento de inauguração
Caquetá Eco, um projeto para a economia florescer em paz com a natureza
Face ao exposto, importa prosseguir além do postal turístico. É preciso passar do discurso, do diálogo inoperante, para a ação, uma ação que responda aos dois desafios: contribuir para a governação nos domínios da transição verde e da proteção da biodiversidade na Amazónia, na região de Caquetá, mas fazê-lo através do fortalecimento de práticas sustentáveis de produção, energia verde e agregação de valor para empoderamento das comunidades locais.
É essa a missão do projeto “Caquetá Eco – Territórios económica e ecologicamente sustentáveis”, financiado pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P., através do PROGEA – Programa Plurianual Conjunto de Cooperação para o Desenvolvimento nos Domínios do Ambiente e da Ação Climática (2030), implementado pelo Instituto Marquês de Valle Flôr (IMVF) e pela Red Adelco – Red Nacional de Agencias de Desarrollo Local de Colombia, iniciado a 1 de janeiro de 2024 e com término a 30 de junho de 2026.
Foi neste contexto, através do compromisso de Portugal com o processo de paz na Colômbia e a proteção da biodiversidade enquadrada na Estratégia de Cooperação Portuguesa 2030 (ECP 2030), que surgiu a instalação do parque fotovoltaico da Associação de Mulheres Rurais da Colômbia e de Caquetá (ASMUCOCA), inaugurado no dia 25 de março de 2026, no Município de La Montañita, Departamento de Caquetá.

O corte da fita da inauguração do parque fotovoltaico
ASMUCOCA e o empreendedorismo da biodiversidade amazónica
No restaurante Santa Parrilla, situado a 30 km de Florencia, capital do Departamento, representantes do Governo Regional, do Conselho Municipal Local, do Instituto SINCHI (programa ABRIGUE), da empresa CORPOAMAZONIA, da Universidade Nacional Aberta e à Distância, associados e produtores da ASMUCOCA esperam a chegada da comitiva que regressava da inauguração do parque solar da COOMBUVIPAC na manhã dessa quarta-feira.
O relógio assinala as 14h30. O calor auxiliado pela humidade faz-se sentir, apenas aliviado pela sombra conferida pelo restaurante. Coadjacente, uma infraestrutura fabril é acompanhada por um alpendre coberto de painéis solares. Um homem procura estacionar na entrada recém-construída um BYD SEAL U com o propósito de testar o carregamento solar das instalações do terreno da ASMUCOCA.
Nesta fábrica, processa-se farinha e extraem-se óleos essenciais da Canangucha, o fruto de uma palmeira nativa da Amazónia que cumpre um papel essencial na proteção da biodiversidade da região. María Daisy Bermeo Claros, conhecida na sua comunidade como Daisy, líder incansável e fundadora da ASMUCOCA, explica que se aperceberam que os porcos gostam do fruto daquela palmeira – “a árvore da vida” – e que, ao consumi-los, faz com que fiquem “mais saudáveis” e que a sua carne se torne menos gordurosa.
O seu nome científico é mauritia flexuosa mas, localmente, conhecem-na pela canangucha. Já num dos países vizinhos, o Brasil, é mais conhecida por buriti (ou miriti). Rico em antioxidantes, especialmente betacaroteno, vitaminas e óleos essenciais, a canangucha oferece inúmeros benefícios para a saúde.
A fábrica da ASMUCOCA capitaliza o total aproveitamento deste fruto que serve para “proteger a pele e os olhos, reforçar o sistema imunológico, combater o envelhecimento precoce, hidratar o organismo, prevenir doenças crónicas e ainda é utilizado na produção de óleos vegetais, cosméticos naturais, sumos, doces e geleias”.
É por isso que o mote destas mulheres é “unidas pela terra, juntas pela mudança”. No fundo, nas palavras de Daisy, “cultivam sonhos, tecem comunidades e protegem a floresta que lhes dá vida”.
Para Daisy, “o nosso maior orgulho é a transformação da canangucha, uma palma amazónica, que cuidamos e aproveitamos de modo sustentável”. A representante da ASMUCOCA refere que “graças aos saberes ancestrais, fabricamos farinha e óleo de canangucha, produtos reconhecidos pelo seu valor nutricional e os seus benefícios para a saúde e bem-estar”.
Mostrando o seu produto “estrela”, óleo “Doña Canangucha”, com a lição bem estudada, Daisy explica que podemos obter “hidratação profunda e duradoura para a pele e o cabelo, graças ao seu elevado teor de ácidos gordos essenciais e vitamina E”. Acrescentou também que é “rica em betacarotenos e provitamina A, protege a pele dos radicais livres, ajuda a prevenir o envelhecimento prematuro e confere-lhe um brilho saudável”. Este óleo protege contra os raios ultravioleta e tem propriedade hidratantes que devolvem a humidade à pele exposta ao sol.
Já a farinha de canangucha, segundo Daisy, é uma “fonte natural de fibras, proteínas, vitaminas A, C e E, bem como minerais essenciais, que contribuem para o fortalecimento do sistema imunitário e para o bem-estar geral”.
Para alcançar este fruto tão valioso é preciso trepar. Os indígenas, com a sua experiência ancestral, fazem-no sem acessórios. Porém, os produtores sócios da ASMUCOCA usam nos seus 40 hectares um arnês, botas e serrote de podar. O Instituto Amazónico de Investigaciones Científicas – SINCHI, um instituto público científico colombiano, apoia a ASMUCOCA, entre outras associações, com o estudo deste fruto palmar, tendo elaborado inclusive um manual para aproveitar “la canangucha”.
Um negócio enraizado na comunidade
Enquanto servem, cortado, um bolo de canangucha, Daisy explica que este foi o sonho e o trabalho de 35 mulheres e 22 famílias. Ainda assim, até os sonhos necessitam de viabilidade para se concretizarem. Anteriormente, a ASMUCOCA gastava entre 1,8 e 2 milhões de pesos colombianos por mês (422€ a 468 €) em eletricidade para alimentar as máquinas robustas capazes de processar a casca rija da canangucha. Agora, com a instalação do parque fotovoltaico, têm energia limpa para as suas necessidades e aguardam a autorização para revender o excesso à Electrocaquetá, a companhia elétrica estatal. Graças a esta poupança de custos energéticos, o custo de fabrico de um produto baixou de 60 mil para 30 mil pesos colombianos.
Este aumento da competitividade do negócio é essencial para criar empregos estáveis, principalmente para as pessoas mais jovens. Daisy, que assume querer assegurar que os jovens não saiam da sua região, dá “graças infinitas ao Camões, I.P.”, representado na cerimónia de inauguração pela Embaixadora de Portugal na Colômbia, Catarina Arruda.
A Embaixadora, que até agora tinha seguido toda a apresentação com um olhar atento e fraterno, responde ao agradecer “por nos receberem com o coração, com alma. São uma inspiração.” Destaca que “estes projetos que partem do fundo das mulheres, dos homens, das crianças, trazem esperança, solidariedade e paz.” Segundo Catarina Arruda, “precisamos de partilhar esta experiência a nível nacional”, na Colômbia. Conclui, dizendo que “o meu compromisso com a paz na Colômbia é total”.
Esta inspiração foi partilhada pela Administradora Executiva do IMVF, Carolina Quina, tendo dito “não nos agradeçam, nós é que vos agradecemos: é uma honra estar entre vós, estamos gratos por trabalhar convosco”. Segundo Quina, “a ASMUCOCA é uma prova que quando se acredita, se tem vontade, resiliência, é possível mudar”.
Como nos ensinou o sociólogo colombiano Orlando Fals Borda, o verdadeiro conhecimento surge de baixo para cima. É nessa medida que Carolina Quina refere que “trouxemos a nossa experiência, mas também aprendemos muito convosco em como encontrar soluções criativas para os problemas.” Nessa sequência, dá nota da importância da parceria com a Red Adelco, “um sócio muito especial”, segundo Quina. “Sentimo-nos como irmãos”, acrescenta.
Paola Ortega, subdiretora administrativa da Red Adelco, parceiro local, referiu que o projeto foi “definitivamente uma montanha-russa, com subidas e descidas, emoções.” Segundo Ortega é importante “compreender os tempos de resposta das instituições”. Hoje, acrescenta, “respiramos mais tranquilidade e dizemos que faz parte do processo, porque o mais importante é a convicção com que fazemos as coisas”. Segundo Paola Ortega, “o que vemos não são só materiais e intraestruturas, mas também uma comunidade: esposos, mulheres, maridos – este é um projeto de vida pessoal e coletivo”, acrescenta a representante da Red Adelco. Paola quer que esta experiência “seja o motor para dar passos mais sólidos e sustentáveis”, porque “se agregamos tecnologia, reduzimos custos, mas também criamos um trabalho, uma profissão, uma remuneração”. Conclui, “que o sonho se eleve, que continuemos este processo de construir a paz”.
A representante da Alcaldía de La Montañita assegurou o apoio municipal ao desenvolvimento da iniciativa destas mulheres empreendedoras. Paralelamente, Ana Maria Ruiz, representante do Governador de Caquetá, Luis Aguilar, referiu que ficaram “muito inspirados pelo testemunho e crescimento da ASMUCOCA”. Como os recursos do governo local “não são suficientes, agradecem ao Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P., pelo apoio”.
As intervenções, antes precedidas pelos hinos da Colômbia, de Portugal, de Caquetá e de La Montañita, são agora procedidas por uma atuação artística protagonizada pela Casa de La Cultura de La Montañita: A Dança da Canangucha. A dança tradicional é interpretada por doze jovens, escrita por uma criança e coreografada pelo professor de dança.
Este processo tem envolvido bastantes organizações da sociedade civil que se fizeram também representar na inauguração. Por parte da UNAD, Peralta explicou que “são um centro universitário que apoiaram, através de dois projetos, as estratégias de comercialização digitais para associações”, como a ASMUCOCA.
Por sua vez, Nuri Puentes, agente comercial, e Betsy Ruiz, representante legal da COOMBUVIPAC, referem a importância de promover a comercialização dos produtos das associações e pedem o apoio do Governo do território para apoiar este processo.
Segundo Betsy, procuram “uma amazónia limpa e reflorestada, cuidar do planeta e melhorar as condições socioeconómicas”. Reforça também que importa continuar “a empoderar as mulheres para que mudem de vida.”



Das energias renováveis à competividade económica
Edward Betancourt Poveda, engenheiro elétrico, representante da jovem empresa BINEL – Beta Ingenieria Electronica SAS, especializada em equipamentos solares sedeada em Bogotá, explicou que “quis ajudar no processo de fortalecimento destas associações”. O facto de ser natural de uma região vizinha que partilha o mesmo clima e condições climáticas deu-lhe um maior interesse e conhecimento técnico na definição da melhor solução para fornecer energia fotovoltaica à ASMUCOCA, designadamente nos sistemas de proteção contra descargas elétricas geradas pelas tempestades tropicais.
O parque fotovoltaico conta com 22 painéis no telhado principal da fábrica e 23 numa infraestrutura anexa criando um alpendre de ensombramento, num total de 45 painéis solares a alimentar as 10 baterias de 100 W/h. A instalação de um poste de alta tensão nas imediações da fábrica vai também permitir à ASMUCOCA, após a conceção de uma autorização, revender a eletricidade produzida à Electrocaquetá, o fornecedor de energia público local.
O representante da Visión Amazonía, que está também a montar uma fábrica de canangucha em Putumayo, confessou que este fruto de palma é um alimento interessante para “os desportistas de alto rendimento devido à quantidade elevada de vitamina A”. Reconhece que o projeto Caquetá Eco conseguiu “algo mais avançado que é a autonomia energética”.
Esta inauguração, juntamente com a da cooperativa COOMBUVIPAC, contou também com a presença de dois representantes da UN Verification Mission in Colombia, elogiando os apoios que foram conferidos.
Um pouco mais atrás, na estrada regional que ladeia a entrada da cooperativa, um corpo de pelo menos seis homens fardados da Sexta Divisão do Exército colombiano procura discretamente garantir a segurança do evento e, em particular, da embaixadora portuguesa. São enviados pelo general Manuel Gerardo Guzmán, o seu reconhecimento pelo trabalho desenvolvido pelo IMVF e pela Red Adelco em Caquetá num contributo essencial para a paz e coesão social neste departamento.
O projeto Caquetá ECO tem vindo a promover um oxímoro: tornar o empresarial social, e o social empresarial (Miguel Angel Gómez). Daisy corrobora a ideia: “fabricamos produtos sustentáveis, empoderamos mulheres e conservamos os ecossistemas amazónios no contexto de ameaças de deflorestação”. Nessa medida o projeto apoia com a gestão de alianças comerciais, o posicionamento das marcas, a participação em eventos comerciais nacionais e internacionais (será realizada uma missão empresarial a Portugal no início de junho), e o marketing através das redes sociais e da promoção do consumo local.
A revenda de energia solar à rede pública visa também apoiar um fundo comum, de aforro, a ser alimentado pelas unidades de transformação das quatro associações apoiadas pelo projeto para impulsionar iniciativas de reflorestação. O objetivo do fundo rotativo de reflorestação é financiar e promover a restauração ativa dos ecossistemas através de projetos de reflorestação sustentáveis, garantindo a obtenção de benefícios ambientais, sociais e económicos a longo prazo nas propriedades dos produtores que constituem a base social e os fornecedores das unidades de transformação.
Adicionalmente, a integração das energias renováveis na produção agroflorestal não só reduz a pegada de carbono, como também melhora a competitividade dos pequenos produtores: 79,5% dos produtores assinaram um Acordo Voluntário de Conservação (abrangendo 553 hectares). Foram elaborados e implementados 198 Planos territoriais de gestão dos perímetros florestais e zonas de produção, limitando a área de expansão das zonas económicas.
Como diria o filósofo Estanislao Zuleta, “a felicidade não é um direito, é um dever”. Esse dever é traduzido pela caqueteñidade, entendida como o desdobramento de uma viagem de expressão biopsicosociocultural de indígenas, negros, mestiços e mulatos, que, ao se encontrarem coletivamente, se redescobrem num trabalho de autoconsciência coletiva e se propõem a gerar o “nós”, ex-combates e vítimas, camponeses e empreendedoras associativas, que compreendem ser eles e elas os guardiões de um mesmo património genético.
Em La Montañita, a paz constrói-se com energia solar e não com armas. A fibra e as vitaminas da canangucha cultivam também um futuro mais verde e inclusivo.









