Os jovens Europeus estão preocupados com as incertezas globais do século XXI, estando conscientes dos impactos negativos da crise climática e dos conflitos contemporâneos, no entanto, apesar de se expressarem sobre isto, seja nas redes sociais ou através de sondagens, de acordo com a sondagem sobre a juventude e a democracia de 2024, realizado pelo Eurobarómetro, cerca de metade admite não participar em qualquer ação de mudança social.

Os obstáculos ao ativismo jovem passam principalmente pelo aumento do custo de vida e das desigualdades sociais, assim como pela falta de recursos para agir. A crise na habitação, a dificuldade em encontrar um emprego digno, a discriminação, e outros fatores estruturais com impacto direto no dia a dia dos jovens são os temas centrais das suas ações e protestos. Há também uma grande falta de literacia sobre as crises da atualidade, os jovens sabem identificar os problemas, mas não sabem que medidas individuais podem adotar para os mitigar – e mesmo os que sabem, devido tanto à precariedade económica como à falta de incentivos superiores, muitos acabam por não fazer nada, as escolhas mais sustentáveis são inacessíveis ao cidadão comum. Apesar dos jovens estarem conscientes sobre as incertezas globais são impedidos de agir pelas urgências do quotidiano que não deixam espaço para pensar naquilo que aparenta estar mais distante. E perante este cenário, como é que podemos sensibilizar os jovens para as questões relacionadas com o solo? Como falar de um tópico que parece tão distante daquelas que são as preocupações e desafios que se apresentam aos jovens?

O solo é a base da vida na terra, e apesar de ser frequentemente negligenciado a sua crescente degradação tem impactos profundos na vida de todos nós. A deterioração do solo contribui diretamente para o agravamento da crise climática, com a diminuição da sua fertilidade perde a capacidade de filtrar água e de armazenar carbono, contribuindo para a destruição da camada de ozono e para o aumento das temperaturas. É também de notar que um solo pouco saudável não consegue suportar a biodiversidade do nosso planeta nem garantir a sustentabilidade do sistema alimentar. E, numa atualidade em que cada vez mais temos competições e conflitos pela soberania dos escassos recursos naturais, o acesso ao solo fértil é também fonte de instabilidade geopolítica.

A cada ano que passa a saúde dos nossos solos piora devido a uma combinação de fatores, nomeadamente, a ação humana, a poluição e uso de fertilizantes e a má gestão do território. Este desgaste afeta a qualidade de vida dos jovens, podendo ajudar a explicar a origem da maioria das suas preocupações. O facto do solo estar a produzir menos alimentos contribui para o crescimento da inflação e do custo de vida. Além do óbvio aumento do custo do cabaz alimentar, a escassez de terras férteis em zonas rurais diminui o emprego na área da agricultura e leva  milhares de jovens a mudarem-se para centros urbanos, por sua vez, esta pressão insustentável nas cidades vai levar ao colapso de setores como o da saúde, o da educação e o da habitação.

Será então a proteção e valorização dos solos a resposta às preocupações da juventude?

É imprescindível mudarmos a visão que temos sobre os solos, deixar de os tratar como algo “rural”, distante, e acima de tudo como um recurso infinito. O projeto Jovens 2030 traz uma resposta prática a este problema: interligando os temas relacionados como solo aos temas chaves da Educação para o Desenvolvimento e a Cidadania global, ancorados na justiça social e na justiça climática.

Assim, enfrentar os desafios complexos e interligados que já foram apresentados exige uma abordagem ativa e multifacetada que vá além da sensibilização. A metodologia IRDE (Imaginar – Refletir – Dinamizar – Empoderar) é um exemplo, de como reforçar essas interligações e conhecimento, por exemplo, através das ações promovidas por jovens nos últimos meses, que incentivaram à ação coletiva e à mobilização da população para temas como a sustentabilidade ambiental e a justiça social.

Os jovens não podem ser vistos apenas como recetores de políticas públicas, sendo estes tão frequentemente caracterizados como os “líderes” ou os “construtores” do futuro, mais do que ouvir as suas preocupações é necessário facilitar-lhes as condições e recursos para a ação, reconhecendo-os como agentes de mudança. Para a construção de um mundo mais justo, mais sustentável e mais digno, é imperativo que se trate a questão dos solos como algo atual, e com impacto real no quotidiano de toda a população, e não como um problema que apenas nos afetará no futuro.

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