Este é o primeiro passo de uma jornada que transformará completamente a prestação de cuidados de saúde no país. Esta é uma afirmação de Ahmed Zaky, Administrador Executivo e Diretor de Projetos do IMVF, na inauguração da plataforma de telemedicina da Guiné-Bissau, que decorreu hoje no Hospital Militar Principal (HMP). É um momento histórico no cenário da saúde da Guiné-Bissau.

A partir de hoje, está disponível neste Hospital um sistema de telemedicina para a saúde materna, neonatal e infantil, que irá imprimir uma melhoria substancial na qualidade da assistência, assim como na orientação de casos clínicos de maior complexidade e formação dos profissionais de saúde locais. Esta plataforma representa um investimento total de cerca de 100 mil euros, no quadro do Projeto Apoiar a Saúde Reprodutiva, Materna, Neonatal e Infantil, rumo a um Sistema Universal de Cobertura de Saúde na Guiné-Bissau (PIMI III), financiado pela União Europeia.

A plataforma está sediada no Hospital Militar Principal, em Bissau, onde foram disponibilizados um ecógrafo com 4 sondas e licenças, servidores e computadores para armazenamento e disponibilização de exames, redes tecnológicas – inclusive uma rede de internet dedicada para ligação com Portugal (nomeadamente, com a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e Centro Hospitalar Universitário de São João, no Porto, através da Starlink) – e adaptação das infraestruturas do hospital para acomodarem todos os equipamentos necessários à plataforma.

Para inaugurar esta plataforma, estiveram presentes o Primeiro-Ministro da Guiné-Bissau, Rui Barros; o Ministro da Saúde Pública, Domingos Malu; o Ministro da Defesa Nacional, Rui Infaca; o Embaixador da União Europeia na Guiné-Bissau, Artis Bertulis; o Embaixador de Portugal na Guiné-Bissau, Miguel Silvestre; o Diretor-Geral do Hospital Militar Principal, Ramalho Cunda; o Administrador Executivo e Diretor de Projetos do IMVF, Ahmed Zaky; assim como Altas Patentes do Ministério da Defesa, quadros do Ministério da Saúde Pública, membros do corpo diplomático de Portugal e da União Europeia, profissionais de saúde do HMP, a equipa do IMVF na Guiné-Bissau e jornalistas de diversos meios de comunicação social.

“Hoje iniciamos uma nova etapa de apoio à saúde materno-infantil, introduzindo inovações sustentáveis no âmbito de uma estrutura de excelência tal como o Hospital Militar Principal (…).”, afirmou o Embaixador da União Europeia na Guiné-Bissau, Artis Bertulis no seu discurso na cerimónia de inauguração da plataforma. “A telemedicina emerge como componente essencial nos sistemas de saúde modernos, com benefícios tanto para os profissionais de saúde como para os pacientes. Neste hospital, uma ligação em tempo real entre o Porto e Bissau irá permitir consultas médicas à distância. Adicionalmente esta plataforma proporcionará formação remota para os técnicos de saúde, assim como espaço para a discussão e partilha de casos clínicos complexos.”

Artis Bertulis salientou ainda: “Os resultados do PIMI falam por si. Em menos de 10 anos, conta-se uma redução significativa de quase 30% na mortalidade materna e quase 25% na mortalidade infantil.” Por fim, salienta que “Apesar do seu compromisso considerável com o setor da saúde, a União Europeia nunca será capaz de fazer o suficiente sem os seus parceiros. Neste sentido gostaria de agradecer e saudar publicamente um dos nossos parceiros do PIMI III, o Instituto Marquês de Valle Flôr, que está a desenvolver esta componente da telemedicina.”

Por sua vez, Ahmed Zaky (Administrador Executivo do IMVF) sublinhou as vantagens que esta ferramenta irá trazer para potenciar a qualidade e melhorar o acesso aos cuidados de saúde. “Com a tecnologia da telemedicina não estamos apenas a conectar médicos e especialistas em saúde, estamos também a eliminar as barreiras geográficas e, com a velocidade da luz, passamos a poder garantir que mesmo as comunidades mais remotas podem ter acesso a cuidados de saúde de qualidade. A inauguração da telemedicina no HMP representa um passo significativo em direção a um futuro mais saudável e próspero para a Guiné-Bissau. Este é o começo de uma jornada emocionante e promissora. Estou confiante de que juntos podemos alcançar grandes feitos e garantir que todas as mães, crianças e homens da Guiné-Bissau possam ter acesso aos cuidados de saúde que merecem.”

Já o Primeiro-Ministro da Guiné-Bissau, Rui Barros, destacou no seu discurso que esta “É a primeira plataforma de telemedicina no país. Temos de saber utilizá-la e utilizá-la com muita responsabilidade, para poder servir não só o HMP em Bissau, mas também todos os centros de saúde e hospitais a nível nacional.”, tendo ainda agradecido à União Europeia e parceiros o seu apoio ao setor da saúde.

Por fim, o Diretor do Hospital Militar Principal, Ramalho Cumba, referiu que o HMP está “a dar o seu máximo para o cumprimento do plano estratégico traçado até 2026, onde consta o projeto da telemedicina.”. Ramalho Cunda reforçou ainda os “agradecimentos aos nossos parceiros pela confiança, que tornou este sonho realidade. De forma específica, falo do Instituto Marquês de Valle Flôr e também aos financiadores, de forma especial à União Europeia.”.

Terminada a cerimónia inicial, a comitiva dirigiu-se para a sala a Sala de Visualização, onde foi possível assistir à primeira teleconsulta via plataforma Medigraf. À distância, a partir de Portugal (Faculdade de Medicina da Universidade do Porto), estava a Dra. Ana Reynolds, médica especialista em Ginecologia-Obstetrícia e coordenadora clínica do PIMI III, e em Bissau estava o Dr. Júlio Namfantche, médico especialista em Ginecologia-Obstetrícia. Realizou-se a primeira ecografia em tempo real, via plataforma de telemedicina, que permitiu a observação do exame à distância com a mesma qualidade de imagem que uma observação presencial permitiria. Esta ligação permitiu a avaliação do primeiro caso clínico através da plataforma e marca o início do apoio que os profissionais de saúde do HMP passam a ter a partir de hoje, na avaliação e discussão de casos clínicos complexos, permitindo uma melhoria substancial na qualidade da assistência e formação dos quadros locais.

O futuro da telemedicina na Guiné-Bissau

Não obstante, o potencial da telemedicina não se esgota na saúde materno-infantil. Com o financiamento da Cooperação Portuguesa e cofinanciamento do IMVF – Instituto Marquês de Valle Flôr, surge o PIMI III+ Novos Horizontes para Cuidados Especializados e Telemedicina na Guiné-Bissau, com o objetivo de contribuir para a melhoria da prestação dos cuidados de saúde na Guiné-Bissau, através do reforço da capacidade de diagnóstico, assistência e formação presencial e à distância do HMP. O PIMI III + irá possibilitar o alargamento da plataforma de telemedicina, com a integração de equipamentos e meios complementares de diagnóstico de 10 especialidades médicas, permitirá o apoio à realização de diagnósticos e consultas, assim como a formação contínua dos profissionais de saúde locais, contribuindo assim para melhorar a prestação de cuidados no país, através da melhoria da capacidade de diagnóstico, assistência e formação dos profissionais de saúde.

A par da telemedicina, o PIMI III + irá promover também a realização de missões médicas de curta duração, com o intuito de prestar assistência especializada e formar in loco os profissionais de saúde locais, em complemento da formação e apoio prestado à distância, através da plataforma supramencionada. Este projeto terá a duração de 24 meses e traduz-se num investimento de cerca de 2 milhões de euros na melhoria capacidade de assistência e diagnóstico do sistema de saúde guineense.

Numa lógica de coordenação entre intervenções e parceiros, pretende-se capitalizar o potencial das tecnologias digitais, cada vez mais indispensáveis para o desenvolvimento sustentável no mundo moderno, enquanto ferramentas que permitem quebrar o isolamento dos países em desenvolvimento no acesso a cuidados especializados, ultrapassar os estrangulamentos dos sistemas de saúde e resolver problemas relacionados com a falta de profissionais, bem como necessidades formativas e assistenciais, permitindo reforçar progressivamente as capacidades e autonomia dos profissionais de saúde em múltiplos domínios da cadeia de cuidados de saúde.

 

Fotos de Mário Cruz

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